primeiro fruto



minha esposa está grávida. nosso primeiro fruto.
a cada dia mais perto.
pensamentos que desfaço em todos os instantes que vivo
essa rebeldia que em mim arde
sem qualquer impureza
esse vôo rebentado que faço
pelas estradas sinuosas
e que me conduziram até aqui,
onde me acho como um múltiplo de mim mesmo
e essa vida pertinaz na essência que me acompanha
sou contraditório e não me detenho em algumas palavras
sou transitório demais
quem disse que não detenho esse mérito
só posso rir desse fato como quem ri de fato nenhum
sortindo posso me deturpar,
me transformar e me multiplicar
e minhas feições
são feições talhadas
cortadas. Marcadas
pois assim fico transparente
e reconduzo tais dimensões
solenes ao absurdo da memória reacionária
que teima em não abster substâncias vívidas
daqueles que aniquilaram a essência de outrora
e é essa parte que me que desmitifica
é a mesma parte que me intensifica

um olhar perdido num vaivém
desobstruindo passagens sorrateiras
perspicácia da imaginação ao absoluto
desfazem minha concentração e
abstrato
conduz meu ser ao mágico infinito
do momento vivido relegando
meu pequeno ser ao desconexo
da imensidão
sou tão intenso que me desdigo
ilogicamente ao teu contato
ao teu fluxo me entrego
abandono meus fatos
deslizo vagarosamente sobre
um sonho imenso
intenso
ardoroso e escancarado

Lá fora o vento


Lá fora o vento
Dissssiii mulado
Cá dentro
o SOM
Meretriz
De ocasião
Blinda o eixo
E perturba no seixo
A vagabundagem
Reinante...

Dissssiii mulado
Cá dentro
o SOM
Meretriz
De ocasião
Blinda o eixo
E perturba no seixo
A vagabundagem
Reinante...

sem título



Confusões impertinentes na minha memória
Tudo solto a espera
De uma aparente ordem
Que nunca chegará
As visões que
A mente toma
Determina
A incandescência desta memória

canto do pássaro selvagem - jonilson montalvão

vou embora vou embora vou embora
canta o pássaro selvagem na cidade
domesticado ao extremo
canta pelas bordas do penar
ele pasma com seu próprio canto
e chora lágrimas externas rachadas suadas calejadas
canta a saudade nostálgica do ontem
dos amores deixados lá...
sua maledicência exime sua desobediência porém o pássaro pardal-águia não voa aquele vôo...
canta amigo suas queixas,
desoladas...
desorientado
parte pro súdito percorrido da vida
vou me embora vou me embora
um canto descomunal em altiplano
uma reverberação da própria
luz que se emite em tonante
uma descomunal vibração se enleva do pássaro selvagem
de volta ao sonho do bater de asas
voar e distanciar-se do mundo cardíaco
percorrido sua trajetória o pássaro selvagem
se entoa como um ser pueril na sua
conflagração atemporal dos antepassados
que com ele voam ao infinito.

Fundação Memorial da América Latina e Editora Moderna convidam para:



Leitura Cênica do Livro Sobre Humanos, de PAULO BLOISE

Programação:
•Espetáculo com Otavio Martins e Vera Barbosa.
•Debate com o autor do livro, atores e Heloisa Prieto, coordenadora
editorial da obra.
•Sessão de autógrafos.

13 de junho de 2008, sexta-feira, a partir das 16h00
Sala de Espelhos do Auditório Simón Bolívar


Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Portão 12
Metrô Barra Funda – São Paulo – SP

CINE SESC - SÃO PAULO

TODA PRIMEIRA QUARTA-FEIRA DO MÊS

ÀS 21.30 HORAS

CINE SESC - SÃO PAULO

SESSÃO ÚNICA DO COMODORO

SEMPRE UM FILME INÉDITO NO BRASIL, EM EXIBIÇÃO GRATUITA E EXCLUSIVA

É PRECISO RETIRAR SENHA ATÉ MEIA HORA ANTES DA SESSÃO

OFICINAS GRATUITAS EM SÃO PAULO

OFICINA DE DANÇA

De todas as artes, a dança é a única que dispensa materiais e ferramentas, dependendo apenas do corpo. Por isso dizem-na a mais antiga, aquela que o ser humano carrega dentro de si desde sua existência.
Dentre as manifestações da cultura brasileira, o maracatu deve seu ritmo e vibração ao elemento negro. Entre os séculos XVI e XIX milhões de africanos foram trazidos como escravos. Vieram de diferentes partes do seu continente, representando diversos graus de cultura. Com eles veio o extraordinário senso de ritmo e um tipo de movimento corporal que os portugueses não tinham. Tal como os índios, os africanos dançavam descalços, com sentido religioso e mágico, chegando ao transe. No cativeiro e apesar da forçada cristianização, eles mantiveram esse costume que serviam também como válvula de escape para seus sofrimentos e humilhações.

Essas expressões de danças étnicas riquíssimas (conservadas através de gerações e vinculadas a um modo de viver próprio) inspiraram a dança do maracatu, e esta vem sendo reproduzida espontaneamente em Pernambuco por comunidades com laços culturais em comum, resultantes de um longo convívio e troca de experiências, funcionando como fator de integração social.
No entanto a dança do maracatu é uma das tantas riquezas mal exploradas no Brasil e raramente é conhecida fora dos seus redutos e que, portanto pode se tornar um das tantas danças que vão desaparecendo junto com outras antigas tradições.

Descrição da dança do maracatu, segundo Mário de Andrade: "... embebedadas pela percussão, dançam lenta, num passinho curto, quase inexistente. Os braços, as mãos é que se movem mais, ao contorcer preguiçoso do tronco. Vão se erguendo, se abrem, sem nunca se estirarem completamente no ombro, no cotovelo, no pulso, aproveitando as articulações com delícia, para ondularem sempre..."

Desenvolvimento:

- Alongamento e aquecimento corporal.
- Sensibilização ao som do tambor e aos impulsos corporais que serão induzidos.
- Exercitar o equilíbrio corporal e a postura.
- Seqüência de exercícios educativos para iniciação à dança.
- Séries de exercícios para membros superiores e inferiores.
- Criação de movimentos e liberdade na dança através de dinâmicas propostas.

A oficina acontecerá aos sábados das 15:00 às 17:30 hrs.

Início: 07 de junho de 2008.
Término: novembro de 2008.


OFICINA DE PERCUSSÃO

A percussão refere-se diretamente ao ritmo e tudo em nossa vida tem ritmo (quando respiramos, andamos e até mesmo em nosso batimento cardíaco).
A oficina de percussão dará ênfase ao maracatu de baque virado. O maracatu apresenta uma pequena orquestra de percussão que percorre as ruas, sob a forma de cortejo, cantando e dançando sem coreografia especial. O ritmo é mais ou menos lento, executado com bastante violência.
O instrumento abe produz um som de freqüência alta/aguda, sendo tocado com um movimento feito na diagonal, subindo em direção ao ombro esquerdo e descendo em direção à perna direita.

A caixa é o instrumento responsável pelo andamento (pulso) da música, produz uma freqüência média-alta/média- aguda. Além disso, ele faz chamada de introdução do baque. Para cada baque tocado, o tarol tem sua condução de base e variações.
O ganzá tem influência do sincretismo do Catimbó com o Candomblé. Nos baques, o ganzá tem a função da marcação das freqüências altas/agudas.
A alfaia, por ser o maior tambor da orquestra da percussão, tem a função de emitir as freqüências graves/baixas.
O gonguê é um instrumento essencial para manter o andamento dos baques e conduzir todos os outros instrumentos, pois com sua freqüência aguda, e sendo tocado na altura da cabeça, ele tem que ser respeitado (ouvido) tanto quanto o mestre (pessoa que puxa o maracatu).

Desenvolvimento:

- Técnicas de aquecimento e alongamento das partes do copo a serem trabalhadas (como pulsos, braços e ombro).
- Aquecimento das pregas vocais e apresentação das toadas (canções), tradicionais do maracatu.
- Reconhecimento dos ritmos.
- Memorização de movimentos e células rítmicas.
- Dinâmica para estimular a criação coletiva de toadas próprias e de solos.
- Revisão de técnicas desenvolvidas de formas diferentes (aprofundamento) .
- Aumento do grau de dificuldade em relação ao conteúdo.

A oficina acontecerá aos sábados das 15:00 às 17:30 hrs.

Início: 07 de junho de 2008.
Término: novembro de 2008.


OFICINA DE CONSTRUÇÃO DE INSTRUMENTOS

A oficina de construção de instrumentos (lutheria), dará ênfase na construção de instrumentos tradicionais do maracatu de baque virado (abes e alfaias).
O termo "luthier" refere-se ao profissional que restaura e confecciona instrumentos musicais, num processo totalmente artesanal. Este processo de criação vai desde a secagem da madeira ao ar livre até a afinação final dos instrumentos.
Desenvolvimento:

- Construção de fôrmas para a obtenção dos tambores.
- Construção do corpo dos tambores.
- Desenvolvimento dos arquilhos.
- Técnicas para empachar.
- Técnicas para afinação das alfaias.
- Manutenção e reparos.
- Tratamento de cabaças.
- Técnicas de trançados com miçangas.
- Técnicas artísticas para decoração dos instrumentos.

A oficina acontecerá aos sábados das 12:30 às 15:00 hrs.

Início: 07 de junho de 2008.
Término: novembro de 2008.


Objetivo geral

Promover a valorização e o resgate das manifestações populares brasileiras, tornando este conhecimento comum aos membros da comunidade.

OFICINA DE CORDAS

Dentro desta oficina serão tratados assuntos como manutenção de instrumentos (violão, guitarra, cavaquinho e contra baixo), e técnicas de aprendizado musical (teoria musical, leitura rítmica e melódica, solfejo e técnicas específicas dos instrumentos) .

A oficina acontecerá aos sábados das 10:00 às 12:30 hrs.

Início: 07 de junho de 2008.
Término: novembro de 2008.


Todas as oficinas são gratuitas e acontecem na escola:

E.E. PROF. MILTON CRUZEIRO

Av. Ernesto Souza Cruz, 36 - Cidade A.E. Carvalho - São Paulo/SP

Próximo ao Metro Itaquera

Telefones de Contato:

(11) 2074-6980

(11) 9694-5660

infância no bairro distante

daqui de casa eu me vejo,
recordo minha infância no bairro distante
soterrado pelas brincadeiras
e vestindo uma roupa simples
de moleque de rua
as unhas imundas da própria terra
bolinhas de gude me fazendo companhia às 8 da manhã
e o café com pão tomado ao lado
de amigos,
sentado nas pedras...
nos escombros das construções
desconstruindo a vida
daqui de casa,
desta nova casa,
penso esse passado recorrente
como num sonho flanado
caminho entre essas brechas da memória
recorro aos sentimentos sutis
percebo detalhes do tempo imberbe
do tempo passado entre o presente e o futuro
daqui vejo tudo e me sinto reconfortável
daqui sou um ser prestes a transgredir
qualquer coisa de imposição...

MODIFICANDO ELETRÔNICOS...

Acaba de acontecer em Nova York o Bent Festival 2008, festival de Circuit-Bending. Mas o que é Circuit-Bending? É a arte de modificar eletrônicos, normalmente os usados em brinquedos, para criar novos sons e instrumentos musicais nunca vistos.
Vale para quem conhece e para quem não conhece nada de eletrônica. À primeira vista, um circuito é um enigma, você não sabe qual a função de nenhuma das mínimas partes. Você começa a conectar partes aleatoriamente, adicionar componentes, botões, e o resultado é a distorção de algum som do próprio brinquedo ou a criação de sons totalmente novos.
Arte é muitas vezes feita de acasos, "acidentes" do processo criativo que resultam em uma oportunidade de explorar uma nova forma, uma cor, uma idéia, um conceito. A busca por estes acasos é a essência do circuit-bending.
Modificar aparelhos em busca de sons originais não é coisa recente. Considerado o pai do circuit-bending, Reed Ghazala começou a conectar partes e provocar curto-circuitos no seus aparelhos em busca de sons quando tinha 15 anos, em 1967. Ele não tinha dinheiro para comprar um sintetizador, então inventou um jeito barato e anárquico de disparar sons originais. Até hoje ele cria instrumentos com nomes como Incantors, Insectaphones e Aleatrons.
Além de exibir a música experimental, os objetos modificados são verdadeiras esculturas freak, colagens com pedaços de aparelhos variados, como sintetizadores, controles remotos, CD players, alto-falantes, telefones, bonecas, e todo tipo de brinquedos, dentre eles o Speak & Spell, um brinquedo eletrônico que ensinava crianças a soletrar, criado em 1978 nos EUA. Ele é um alvo clássico dos circuit-benders.
Organizado por Mike Rosenthal, o Bent Festival acontece desde 2004 e promove performances, artistas e seus instrumentos, workshops para adultos e crianças. VideoArt "Circuit Bending" cuja trilha sonora foi composta num mini-teclado para crianças Casio SA-5:
http://www.virb. com/httpwwwpaulo rcbarroscom/ videos/45232

AUTORETRATO - jonilson montalvão

Auto-retrato é algo de uma surpresa. A gente mira a máquina no próprio rosto e dispara, ou clica, ou aperta o botão. É uma brincadeira. Gosto dessas brincadeiras e sempre produzo esses auto-retratos.




PEDREIRA GUAINAZES - jonilson montalvão









A pedreira de Guainazes está se desfazendo, ou melhor, estão transformando ela em algo morto. Mas nesse momento ela resista. Ainda há um tanto de vida pedindo ajuda, ou se virando do jeito que dá.
Estive lá, com minha amiga Eliana, atrás de imagens. Imagens que poderão se tornar um documentário. Produzi algumas fotos também, essas que vocês vêem nesse blog. O que resta da pedreira é isso.
Pesquisando na internet sobre a pedreira descobri algumas coisas:

A Subprefeitura de Guaianazes, na Zona Leste e São Paulo decidiu interditar a pedreira situada no número 200 da Rua Saturnino Pereira, que sofreu uma explosão no início da tarde desta segunda-feira (30).

De acordo com o subprefeito, Eduardo Carlos Felipe, o fechamento do local é uma medida de segurança. Grandes blocos de concreto serão colocados ao redor da área para evitar a circulação de pessoas pelo local. A notificação foi entregue aos proprietários nesta tarde.

O acionamento aparentemente acidental de duas caixas de explosivos causou transtornos em na pedreira às 13h49. De acordo com moradores da região, houve um grande estrondo, e as janelas de algumas casas ficaram estilhaçadas. A sede da subprefeitura de Guaianazes chegou a sofrer um tremor.

Após o acidente, seis equipes dos bombeiros seguiram para o local, além do helicóptero Águia. A Secretaria de Segurança Pública informou que apenas um motoqueiro se machucou. Ele teria se assustado com o barulho da explosão e teria caído do veículo. Ele foi socorrido pelo Samu.


LINKS:
http://www.fotogarrafa.com.br/fotoarquivos/cat_moradia_guaianazes.html

12° ENCONTRO NACIONAL DE JONGUEIROS - 2008

12° ENCONTRO NACIONAL DE JONGUEIROS - 2008

O Encontro de Jongueiros reunirá os grupos de jongo do Brasil em apresentações coletivas, oficinas e debates.

Em 2008 o evento acontece no Vale do Paraíba em Piquete / SP e contará com a importante presença de grupos de jongo de 19 municípios do sudeste do país.

Serão duas noites de festa com a presença dos grupos do Quilombo São José - Valença, Barra do Pirai, Pinheiral, Angra dos Reis, Santo Antonio de Pádua, Miracema, Serrinha, Porciúncula, Quissamã, Campos, São Mateus, Carangola, São José dos Campos, Guaratinguetá, Campinas e Piquete.

Acontecerão intercâmbios de experiências com intuito de garantir a continuidade e a renovação dessas práticas culturais e o desenvolvimento de estratégias coletivas de transformação da qualidade de vida das suas populações através da arte popular.

O evento é produzido pela Associação BRASIL MESTIÇO e o JONGO de PIQUETE com o apoio da PREFEITURA MUNICIPAL DE PIQUETE e o patrocínio da PETROBRAS Cultural e terá portas abertas ( nenhuma cobrança ) .

CANTO DO PÁSSARO SELVAGEM - jonilson

vou embora vou embora vou embora
canta o pássaro selvagem na cidade
domesticado ao extremo
canta pelas bordas do penar
ele pasma com seu próprio canto
e chora lágrimas externas rachadas suadas calejadas
canta a saudade nostálgica do ontem
dos amores deixados lá...
sua maledicência exime sua desobediência porém o pássaro pardal águia não voa aquele vôo...
canta amigo suas queixas,
desoladas
desorientado parte pro súdito percorrido da vida
vou me embora vou me embora
um canto descomunal em altiplano
uma reverberação da própria
luz que se emite
em tonante
uma descomunal vibração se enleva do pássaro selvagem
de volta ao sonho do bater de asas
voar e distanciar-se do mundo cardíaco
percorrido sua trajetória o pássaro selvagem
se entoa como um ser pueril na sua conflagração
atemporal dos antepassados que com ele voam ao infinito.

13 ANOS

A primeira vez que a vi ela tinha apenas 13 anos.
Apenas isso. Eu já passava dos vinte e pouco. Não mais que isso. Mas na minha vivência havia muita experiência. Ela era baixinha, cabelos pretos escorridos; muitos escuros. Por isso deduzi que ela pintava os cabelos. Um rosto claro desvelava um olhar sedutor de menina.
Estávamos numa festa.
Aniversário do meu sobrinho. 16 anos.
Deep Purple tocava alto para os bons ouvidos juvenis delirarem. Ela dançava e mexia os longos cabelos.
Eu bebericava uma cerveja e passeava pela casa reconhecendo o local.
Há mais ou menos uns cinco anos eu havia me mudado e então essa era a primeira vez que eu voltava ali. Um convite de minha irmã para matar a saudade dos parentes. Uma festa de aniversário. Nada mais propício.
Fui me apresentado, reapresentando (e representando), aos poucos, à algumas pessoas. Primos, primas, alguns tios e tias. Família extensa. Ainda faltavam mais gente. Minha irmã sempre sorridente. Meu sobrinho alucinado. Não parava. Ia de um canto a outro da casa, dançando e conversando com todos.
Ela, meiga, agora conversava com outra menina. Todos muito juvenis. Fiquei, de repente, velho? Não, não era isso, era algo muito mais profundo do estado de alma, da minha alma! Mas isso não me dizia, nesse momento, nada. Eu precisa chegar-me à ela de alguma forma. Sem restrições e sem demasiada formalidade. Apenas um encontro numa festa juvenil e familiar.
Chamo meu sobrinho e digo-lhe meus planos. Ele, como era de se esperar, ri. Me olha como seu fosse muito velho e anacrônico e saí sem respostas. Fico parado contemplando o vazio familiar e as intenções boçais de cada membro; minha irmã se sentindo a mulher mais simpática do mundo e meus tios e tias fazendo de tudo para não ficarem de fora da juvenilidade festiva. Ridículos. Eu também incluso.
Tomo mais algumas cervejas e me aproximo do DJ na intenção de uma conversa e também pedir um som. Ele não tem mais que 18 anos. Conhece tudo de rock. Me fala nomes de bandas. Reconheço algumas. Ela se aproxima e pedi, meigamente, uma música. Ozzy. O DJ abre um sorriso e me olha como que dizendo, “olha só que bom gosto”, eu aprovo com o olhar e balanço cabeça num gesto de olá. Ela sorri e me pergunta se sou tio do aniversariante. Digo que sim, mas ela já sabia disso. Talvez ela tenha perguntando só pra puxar uma conversa, é o que eu penso. Ótimo então, continuo a conversar com ela; é a minha chance. Mais de perto ela me parece mais nova. Engraçado. Pergunto seu nome, sua idade...seus gestos me fazem querer pular em cima dela e beijá-la desesperadamente. Suas feições são resplandecentes. Ela sorri com meus comentários. Pergunta meu nome, minha idade, do que eu gosto. Digo-lhe tudo o que me ocorre na cabeça, como um bombardeio do cérebro em busca do essencial na atmosfera. Mais sorrisos e gestos delicados de uma menina. Nada me passa mais pela visão. Dançamos e sorrimos com as nossas cervejas na mão. Estou louco para beija-la e ela sabe disso. Jogo seu jogo e deixo-a me seduzir. Ela é maliciosa e eu me contento com isso. Ambos sabemos das coisas.
Ambos sabemos o que queremos.
As conversar em torno de nós girava e eu ouvia alguma coisa. Burburinhos do tipo “olha só o papa-anjo”.
Minha irmã também não poupava seus comentários. Em algum momento ela me cerca e começa seu interrogatório repressor e moralista. Não lhe devo nenhuma satisfação. Penso isso mas não falo. Seria o fim da festa para mim. Deixo as coisas como estão não digo nada. Meus interesses são outros e todos já sabem disso.
O álcool já surti algum efeito sobre meu cérebro e não somente o meu. As pessoas também já estão mais soltas e falando mais.
Ela me olha como olhos vulpinos e não diz nada.
Acompanho-a e ganhamos a rua.
A noite já toma conta do lugar.
Ela senta-se na guia da rua e cruza as pernas dando-me a visão parcial das suas coxas. Sua mão pega a minha e me puxa para junto do seu corpo. Sento-me ao seu lado e passo meus braços pelo seu ombro.
Seu rosto vira-se e encontra o meu. Nos olhamos por um breve momento. Seus olhos dizem “vem” e eu vou. Meus lábios unidos aos seus.
Nesse instante ronda-me um turbilhão de desejos vibrantes e nossas bocas, como ventosas, se unem fervorosamente.
Nada poderia ser igual, nada que eu conseguisse descrever daria conta do momento, nem saberia dizer como um momento soberbo poderia ser descrito em palavras.
Ficamos ali um tempão.
A noite passou efêmera.
Mas o tempo que ficamos juntos durou uma eternidade.

BELO HORIZONTE





Final de semana passada, finalzinho do mês. Eu a minha esposa Michele rumamos para belo Horizonte. Concurso Público no domingo e passeio pelos botecos mineiros com direito a comida e bebida sendo guiado pelo nosso cicerone mineiro com passagem pela paulicéia.
Patrick, nosso amigo, gentilmente nos hospedou. Sua família também fez parte nessa gentileza. Seu pai, cruzeirense roxo, ou azul e sua mãe, que não torce para nenhum time, mas em compensação é uma exímia cozinheira.
Andamos bem em BH, fomos em vários botecos. Comemos e bebemos. Curtimos a cidade que em um breve futuro queremos morar. Talvez mais rápido do que imaginamos. Começamos com uma vontade e agora já estamos em vias de fato.
BH é hospitaleira. Suas ruas centrais planejadas, sua arquitetura centenária e sua gente sem pressa. Ou era eu que estava sem pressa? Sei lá. Percorremos ruas e ladeiras e subimos até a Praça do Papa. Tudo no Sábado de manhã. Depois circulamos a Pampulha e tomamos cervejas nos botecos concorridos. Conheci a rua Bahia, a Av. do Contorno e a feira de artesanato, isso no Domingo. Mais cervejas e mais petiscos.
Almoço pronto. Carne de porco que derrete na boca. Feijão saboroso. A mãe do Patrick fazendo sua mágica na cozinha e nós nos entregando ao seu tempero sedutor. Final de semana com tempero mineiro, em todos os sentidos.
Estamos agradecidos.

EXPLICANDO O INEXPLICÁVEL - jonilson montalvão

Explicar o inexplicável!
Parece ser isso o que todos querem.
Rio dessa formalização; rio de mim mesmo, ouvindo tais besteiras...
Ouço idéias de todos e nada argumento.
Perdi essa aventura, não tenho mais essa vontade de tudo contra-argumentar.
Algumas opiniões eu simplesmente ouço, não as refuto. Só as ouço. Só as ouço.
Todos têm suas razões, suas verdades.
Uns mais que outros, na opinião destes,
E outros, também nas suas subjetividades, as têm de forma glamorosa.
Eu ouço as verborragia e calo-me perante tudo...
Hoje, passadas tantas coisas, não invoco mais verdades, nem quero saber no que o mundo vai dar...
Certezas? Todas risíveis;
Absolutismos? Nada;
Condições? Qualquer uma.
Mais do que meus singelos pensamentos há uma vasta onda de euforia contemporânea a devastar tudo.
Minha realidade se faz e desfaz como o vento que rompe camadas e se esfacela entre meus poros;
Sou um ser vivendo com opiniões que até podem se contradizerem. Posso, agora, ter certezas e não tê-las com a mesma velocidade.
Na mesma condição que penso o mundo, penso minha vida, pois tudo está arraigado; tudo se esfarela e tudo se solidifica e volta a se esfarelar.
Os grãos do pensamento são meros atos.
Todos são corretos e têm razão. Todos estão repletos de opiniões e sensações.
A verdade é alquebrável e denota um lugar de alusões.
Não idéias formadas e não quero corrigir a idéia alheia ou se contrapor a elas; penso hoje que isso é algo tão desinteressante, tão maçante...
Cada um que desenvolva seu raciocínio, mas que não tente impor isso a ninguém;
Lógico que há a troca de idéias, a conversa em si, o bate-papo, mas isso é outro plano, outras conversas...

SEM PRODUÇÃO - jonilson montalvão

agora o meu não querer pensar
tornou-se o meu não querer agir
e isso também me torna um improdutivo
mas o meu ócio me é produtivo
ninguém me diz o que fazer
esse ócio me é satisfatório
fico horas a fio sem produzir
fico num total estado de imersão
em mim mesmo
sempre em mim mesmo
e num universo totalmente sintonizado
com tudo que tem que ser
fazendo planos para minha estadia em
outras localidades
e isso me é bom
não atrapalho ninguém na sua
idéia de produtividade
não desfaço valores horrendos de outros
ora por não ser um determinista,
ora por não querer mesmo
ora para não tornar as coisas piores
até já fui um reclamador
mas tudo isso foi em vão
hoje apenas não incomodo ninguém
meus pensamentos são meus pensamentos
minha intransigência é somente minha
deixo de acreditar em tudo:
aquilo que meus olhos vêem
aquilo que me ouvidos ouvem
esses sentimentos são meus
e é por isso que existo

REMATE - jonilson montalvão

Minha impaciência calada
depois de tudo,
argumentada...
como um poeta destinado ao fracasso.
Como um banguela das ruas,
sozinho com todos ao redor...
num céu azul-cinza,
num trânsito sedentário.
Fragmento daquilo tudo
que não volta
ao sentido,
Como uma droga que
transcende ao querer
Vontade vontades...
Quando o vento tocar na fresta
Idiota...
Da janela desse apartamento,
da visão retida no azul-cinza da cidade,
cidade que não me quer
e mesmo assim aqui estou
pairando sobre as conclusões
mais retrogradas da iminência;
da retórica...
Calada.

O fim do dia - jonilson montalvão

O fim do dia estava parnasiano; demais para mim àquela altura; sim, estava sóbrio.
Foi o que eu disse ao escrivão da delegacia.
Defina-me parnasiano.
Fingi que não ouvi e continuei falando um monte de outras baboseiras. Passamos um tempo juntos, eu e ela...éramos tão apaixonados...
Por favor, defina-me a frase que o senhor disse anteriormente “o fim do dia estava parnasiano”.
Tentei desconversar mais uma vez e nesse instante o Delegado entrou na saletinha.
Pode liberar o figurinha aí.
O escrivão me olhou com olhos de fogo soltando suas labaredas e nada disse.
Levantei-me, balancei a cabeça como um gesto de cumprimento à ambos e saí da saleta.
Do lado de fora Penélope me aguardava sentando numa poltrona arruinada pelo tempo; estava vestida com uma saia verde curtíssima e suas pernas morenas ficavam à mostra para os policiais que por ali circulavam e paravam os olhos nela; me pareceu que isso não a incomodava, muito pelo contrário.
Assim que ela me viu levantou e veio em minha direção com um sorriso descomunal. Nos abraçamos e nos beijamos.
O que houve?, ela quis saber.
Nada, apenas as perguntas de praxe.
Não te bateram não né?, seu lado materno às vezes, explodia.
Não, apenas perguntas.
E o que você disse?
Nada, desconversei o máximo que pude.
Saímos dali. Ela estava de carro e eu com muita fome. Paramos num restaurante e eu pedi um comercial, desses que ficam prontos mais rápidos.
Penélope era minha amante e eu a amava e ela sabia disso. Era ela que resolvia todos esses pormenores da minha vida; todos esses dilemas que algumas situações nos colocam lá estava Penélope com sua paciência monástica. Era meu anjo, sempre pronta a me salvar.
Na saída do restaurante lhe disse que gostaria de ir a um Sebo comprar algum livro, estava querendo ler algum romance tolo, sem perspectiva, apenas para passar as horas.
Ela me recomendou um Sidney Sheldon, clássico dos romances tolos, nas palavras dela.
Tudo bem, falei.
Fomos no seu carro ouvindo Zeca Baleiro.
Conversamos sobre nossas vidas e o que esperávamos dela; planejamos o futuro e criamos um bem estar maldito daqueles que dão frio na barriga.
Penélope estava grávida, ela me disse quando saiamos do Sebo.
Fiquei alguns segundos sem respirar.
Há quanto tempo?
Fiquei sabendo ontem, vai fazer um mês daqui a três dias; mas isso não é problema...
Não?!...
Não.
Então o quê?
Nem sei como te dizer, é difícil...estou grávida, mas você não o pai...
Congelei.
Todas as conseqüências que pude racionalizar, no momento, foi uma lágrima escorrendo pela face.
De repente me vi saturado; desorientando. Fiquei calado.
O carro parou e descemos. Na porta da sua casa ela me pediu desculpas e tentou me abraçar. Não deixei. Ela fitou-me com olhos doces. Queria beijar sua boca com toda ganância e revide; não pude.
Chorando disse-lhe palavras soltas e sem nexo. Da vida, daquela vida que eu planejava ao seu lado, daquela história, daquele amor...encerra-se um ato.
Eu ainda te amo, sua voz encheu meu corpo de dor e contentamento. Eu ainda te amo.
O fim do dia era o fim de uma vida; o fim do dia como uma fábula de horror de todo um relacionamento que morria.

verde - jonilson montalvão

escrita absurda - jonilson

Descobri, na infância matreira,
com as brincadeiras
a escrita absurda
Infância de tempos presentes
Infância que carrego e descrevo
Em liberdade do momento
Causo-me infância como
Uma alegria que não se busca
Mas a tem,
Da minha vida absurda
Brinquei com palavras e criei
O que para outros nada era
E que para mim
Eram tudo
Assim como tem o tempo
A ode de tudo
Primitivamente em tempos contemporâneos
Circunstâncias que não se ocultam
Da vida, em aberto
Causa absurda da descrita, intolerante
Pois sim
Atropelo das palavras
Sim, também
E além das palavras
Pois tudo está pertencido
Ao todo, ao louco, aos berros
Contro-versos...

momento vivido - jonilson

Em qualquer momento vivido temos um próprio momento.
Foi isso o que ele me disse. Tudo bem, retruquei à ele, mas acho que ele nem me ouviu.
Sorri e disse adeus. Um adeus breve, pois era isso o q tinham me recomendado.
Eu aceito quando me pagam bem, e esse era um desses casos.
Casos?, sim chamaremos, ou melhor, chamarei assim essa probabilidade de retaliação da vida.
Rio da miséria mesquinha dessa vida, minha vida se fez e eu nem senti.
Árduo, só a pirraça esvoaçada da cortina que se forma em meus olhos. Lágrimas?, nem pensar.
Meu cigarro se esmiúça de cinzas e ando entre as próprias desgraças em formato de tudo, são tudo.
Pois bem, estou a par de tudo o que tramam pelas minhas costas e se algum de vocês acham que isso me assusta se enganam muito.

passagem pela rua pontilhada - jonilson montalvão

periferia ordinária - jonilson

Esses atos
que não entendo
Essas desigualdades...
Brusco e irregular.
Da periferia ordinária
À margem como querendo estar
Uma recompensa da placidez
Da inexatidão
Da periferia estilizada...
Caminho por uma viela escura
As nuvens encobertas ofuscam
O cinismo do cinza
Degradados
Degradação
Caminho por avenidas transformadas
Pela nostalgia do tempo
Que é não é...

FORUM FILOSÓFICO no Jd. Pantanal

Fórum debate.
As coisas presenciadas, as não olhadas, as vistas, são todas parecidas. As coisas são olhadas e vistas para serem analisadas. Sendo analisadas tendem a serem discutidas.
Esse é o foco de todas as pautas. Da comum ao absurdo são os fatores que elevarão o enriquecimento do nosso conhecimento o foco desse fórum filosófico.

FORUM DEBATE DIA 29 DE JANEIRO DAS 13 às 17

PAUTA BERTA – O ENSAIO DE CADA UM .
PRIMEIRO MOMENTO-ABERTURA PARA NOTIFICAÇÕES E INFORMES.

SEGUNDO MOMENTO – O ENSAIO DE CADA UM.
TERCEIRO MOMENTO-DEBATES SOBRE OS TEMAS ABORDADOS.
QUARTO MOMENTO- PROXIMA PAUTA.

LOCAL SATYROS III PANTANAL
RUA VISTOSA MADRE DE DEUS 40 B
TEL:
8400-0041 BREGUESSO
9793-8295 OTAVIO

IMPROVÁVEL - jonilson montalvão

Passei, entre tudo, o que era naquele instante, um amontoado de qualquer coisa. Mas não, não assim...improvável. Havia naquilo tudo minha mente que desatina ao enredo do acaso. Dentro da órbita das palavras que se escamoteavam com um feixe de luz; a luz solar era então, pensei, pensei...as respostas insatisfatórias, desorganizadas...a viagem da utopia se regozijando com sintomas passados e mesmo assim continuava perdido sobre qualquer ridícula situação.
Soou o alarme, ansioso suo pelas mãos e resto do corpo, ansiedade dominante. A hora “H”, ou qualquer outro nome para o momento: a hora chegada, esperada...tenho alguns segundos para a ação, a mente turbilhada, repleta, penso numa pintura que vi num museu: “A queda d’água”, não me lembro bem o nome do pintor, Gorky talvez, mas a pintura é cintilante na minha memória: em formato abstrato uma cachoeira rompe o verde da mata e atravessa os encalhes das pedras. É nessa pintura que penso, não sei porque motivo, apenas a vejo enquanto ajo, rápido; os sintomas de ansiedades desaparecem, ajo tão extraordinariamente e tão sensivelmente, sem rastros, sem emoções do momento, sem perturbações menores.
O que era de se esperar foi feito. Sem remorsos ou qualquer tipo de mágoas. Apenas o caso sendo resolvido como foi o trato, apenas isso.
Devolvido ao estado normal da vida, os resquícios deixados lá, em outras metáforas. Prossigo pensando no quadro, apenas me distraio quando peço um café num bar. Meu estado normal está prestes a se modificar ao sabor da cafeína sensata. Alguns dias atrás estava aqui perto, mas quem poderia imaginar essas coincidências; primeiro sinto o aroma que exala da xícara, depois provo um pouco, adoço e tomo o restante em delicadas doses, sem pressa, sem resquícios.

coisas - jonilson

Desde que acordei naquela madrugada suado e esbravejando contra os pernilongos ainda rememoro os atos; a memória é esse caso sério mesmo e contra isso eu nada posso. Tampouco agrada-me essa idéia de lutar contra algo, por mais metafísico que isso seja...minhas imaginações – o ato de criar imagens – não me atormentam, apenas seguem-me como uma companheira de boa índole e sem nenhum prejuízo a causar-me.
Datas e dedicatórias, me lembro de Quintana e de Manoel de Barros e persigo, como não querendo, apenas em sugestões, algo; mas, também, como já disse, nada me atormenta, nem deveria mesmo, pois o que é o algo?,
criar e desfazer são um mesmo ato e depois de ter lido algumas literaturas e de me desmentir a quase todo instante, depois de tudo isso tento pasmar-me de aflição e quase consigo, quase que consigo e ainda penso num jeito de me deixar afluir por aí enquanto tudo esbanja seus desejos paranóicos. Vivo simplesmente e nada, agora, me realça tanto assim...em sã autonomia de minha própria vida, em consciência com o simples.
Levanto quase dormindo depois de tudo e penso e ajo tomando um copo de água fria e caminho até a janela da sala, olho lá pra fora e vejo a luminosidade reinante, desnatural e apocalíptica entrelaça toda a cidade; ela brilha, ela brilha...como brilha essa cidade. Os prédios de vida própria com suas próprias radiações, seus luzeiros que não piscam. Da minha janela dá pra ver tudo isso. Não identifico um ser humano ali naquele meio fantástico de cores e vibrações; as luzes piscam conforme eu as olho; fico ainda um tempo ali parado consternado diante da impotente cidade daquela hora, a hora que diz em sinais e relampejos disformes.
Os prédios monstruosos arrebentando com a visão descontínua; janelas dos apartamentos acesas, imagino as pessoas circulando dentro dos apartamentos, uma luz ao lado revela que alguém se levantou, outra que se acende e apaga, como um vaga-lume gigante e ainda outra e mais outra; os sonâmbulos da madrugada adentram a perspectiva.
Limitado, eis-me, olhando por entre esse vínculo...eis-me pasmado. Daqui todos e tudo são as próprias metáforas da vida, são as próprias condições que, enquadradas, alucinam e criam as cataratas reluzentes. Mas acima de mim, também, se cria ilusões e não há um pormenor sequer como que querendo dizer sim e ao mesmo tempo negando as imagens. Todos, tudo...mas nessa madrugada descontínua e repleta de coriscos, faíscas, alusões aos sentidos pueris sou, também, uma luz e brilho aqui, nesse espaço manufaturado e incoercível; a cidade brilha, ofusca as visões noturnas e acima daqui, ali, logo ali.

mucunã - jonilson

o espaço do sátyros 3 convida:

sarau dia 22/12 Às 22:00

"rapsódia dos malditos"

poema dos poetas malditos recitados em ordem alfabetica por autor.


rua vistosa madre de deus 40b
( ao lado da escola smith bayma )
jardim pantanal


organizadores: melisa e poeta queiroz filho

a igreja

Daqui de onde eu trabalho vejo uma igreja, é uma igreja daquele pastor que comprou o antigo cinema metro e que fala em um monte de programas de tvs.
Antigamente havia algumas árvores em frente ao prédio que, hoje, abriga a igreja, mas os crentes, não crendo na natureza, cortaram as árvores, acho que para se ter uma melhor visão do prédio.
Em frente a essa igreja, de dia, fica uma mesa e daqui de onde estou consigo avistar o que me parece ser um caderno, esse caderno fica em cima da mesa; ah, há também uma caneta junto a esse caderno. Um rapaz fica o dia todo na calçada do prédio da igreja.
É engraçado, ele fica ali abordando as pessoas que passam, é uma abordagem pesada, eu diria que chega a ser rude e grosseira, mas isso é somente um ponto de vista; os passantes são abordados da seguinte maneira: o rapaz se aproxima dessas pessoas e as segura pelo braço, fala alguma coisa e as puxa para assinarem o livro, acho que é para alguma espécie de oração. To achando que para cada nome no caderno ele ganha uma comissão, pois, talvez, esse seja o seu trabalho. Esse rapaz fica o dia todo mesmo, pelo menos quando eu estou aqui no me trabalho sempre o vejo ali, cumprindo a finco sua missão.
Lógico que algumas pessoas, pelo que eu pude reparar, vão até a mesa espontaneamente. Mas outras são realmente arrastadas e há aquelas que não querem e essas precisam de algum esforço para livrar a mão do eficiente rapaz a serviço da graça divina.
Porém há um outro serviço que essa mesma igreja presta a todos nós, vizinhos dela, trata-se de um serviço de som e um som muito alto. De vez em quando, à tarde, alguns irmãos, loucos para salvarem almas desgarradas da fé, colocam na calçada - a mesma que o outro rapaz recolhe nomes – duas caixas de som e ligam o microfone anunciando algum evento que a igreja proporcionará. É um verdadeiro show da fé, e mesmo que por algum acaso tenha alguém que não deseje ouvir o irmão berrando, mesmo assim terá que ouvir, pois a palavra de deus arde e não respeita os infiéis.
Por isso tudo, penso, como um ato de louvor pode ser tão catastrófico para quem não quer participar? Pena que se considerando o respeito aos demais seres nesse caso não há nenhum, e ainda se anunciam como devotos a um deus de amor.

Sociedade Anônima de São Paulo - jonilson montalvão

São Paulo, Sociedade Anônima
Luís Sérgio Person

Nesses dias, por incrível que possa parecer para uma pessoa que se diz apaixonada pelo cinema, vi São Paulo, Sociedade Anônima! Escrevo Sociedade Anônima, assim por extenso, ao contrário de só S/A, pois assim também aparece no letreiro, no início do filme. E é assim que eu analisei o filme. Pois a Sociedade Anônima, ao contrário das iniciais S/A, na minha opinião, nos diz muito mais, talvez como o diretor, Luís Person, pretendesse discutir. A imensidão da palavra, quando a lemos: sociedade anônima soa forte, contundente; soa mais robusta do que simplesmente S/A.
O filme, hoje, pode ser visto, também, como um documentário sobre a cidade de São Paulo. Pois quando as imagens da película em preto e branco, muito bem fotografada, surgem na tela, o que vemos é uma São Paulo em mutação, aliás como hoje também, mas nessa época, talvez, muito mais pela necessidade de nunca parar, nunca dormir. O café já não dá tanto lucro assim; são as indústrias ( no filme principalmente as indústrias automobilísticas) que brotam e que aceleram a economia do maior estado brasileiro, a locomotiva que carrega a nação rumo ao futuro.
Carlos, personagem do estreante Valmor Chagas, é um jovem que vai se engendrar nessa indústria e através dele é que vamos passeando pela cidade. Mas Carlos é também um ser que não está contente com essas estruturas sociais da grande metrópole. Porém, logo de início, ele não sabe muito bem o que fazer, está perdido entre os abismos.
No desenrolar da narrativa, muito bem contada, vemos Carlos se envolver com algumas mulheres, é aí que ele conhece Luciana (Eva Vilma, novinha, novinha). Depois de muitas idas e vindas eles se casam, tem um filho.
Na mediocridade da vida que aceita os padrões, Carlos até que não estava tão mal assim; seu cargo na empresa de autopeças era de confiança, mas não é isso que Carlos quer, ele está em crise e isso o abala e o leva a romper com tudo e com todos.
Ele precisa recomeçar, custe o que custar e talvez isso não tenha um fim próprio nem natural.

poema para michele

Amar você é um bombardeio categórico
Aleatório e infame
Tão bom como um beijo em
Tua boca,
é o sedimento que me devassa
Num tormento de intenso calor
E tudo, desde os pequenos seis
Até os pêlos espalhados
No corpo sedutor
Na região da buceta o calor
O que seria de mim sem esses
Carinhos, estremeceria e fugiria
Ah, meu amor,
Tão bom ser teu que sou
E a ti sou um verdadeiro
Num impulso de cada dia,
De cada respiração,
Num ato de paixão,
Está a minha
Remissão
A minha retidão

mijar

fanzine irracional e emocional